11/07/2009

Sangue
de espelho líquido.

Os intermináveis gestos
opacos
da cidade que se joga
sobre os meus braços
como chuva
de cacos de vidro

meus olhos que afloram
como bolhas
de um lago translúcido.

o reflexo do seu sorriso
com uma gérbera no espelho
do elevador vazio.

Embriagar-se de vermelho
dos sinais, ser menos
o anônimo das ruas
rasgar a pele e tatuar o vento,
sumir do mapa –

um projeto de lucidez
infalível.

11/04/2009

no espelho

Se você tem algo, de fato, a escrever
sobre o tempo, perceba que ainda uma outra
vez ele passou de vez sem que você
soubesse que a chance de dizer as poucas
coisas que lhe foram caras, na esperança
vaga de que tais palavras sustentadas
pelo poema possam, em sua dança,
tatuar num outro corpo a mesma marca,
está perdida: o mundo segue algum
desvio, desesperos portáteis, vãos,
gomorras sem o olhar de um deus, distopia
e corrosão do século vinte e um,
dessublimações, falsa anunciação
que lhe afunda em soul, sexo e melancolia.

10/31/2009

A Brtelecom fez um drink com meus colhões

Não dá pra saber se o melhor é simplesmente encher a lata ou girar as bolas com os dedos devagarzinho, o tilintar dos colhões no copo, Vinicius de Moraes curtia muito esse barulho, as veias azuis de absinto, duas doses de sistema, três partes de não podemos fazer nada, a portabilidade de sua alma, gerúndio em pó, cuidado com as palavras de baixo calão, estamos gravando ao seu bel-pesar, o pilão pra macerar as bolas está com a próxima atendente, o call center é um universo em expansão, ao descer aqui as suas bolas são como os olhos daqueles animais esquisitos que vivem no fundo do mar, que é como soa a nossa e a sua voz, sinto muito não estou ouvindo, não a gravação ouve tudo em nosso lugar, estamos brincando de telefone sem fio por acaso?

O toque especial dos veios labirínticos, não são pedras de gelo, são palavras, diz a medusa oxidada, não é o vazio, são os caminhos cruzados diz a spicy pitonisa com sangue amargo de campari, bebida dos infernos enfiada por meio de um funil em tua goela, entendemos o seu sofrimento mas o drink não fica pronto sem o seu nome completo e depois de vinte dias inúteis.

Por enquanto suspendemos o calendário, meu nome é Jessica, Cassandra, Górgone estagiária, os verdadeiros filhosdaputa ensacam lombrigas em pacotes de miojo, se o senhor não estiver satisfeito podemos usar as bolas no tênis de mesa, mudar de jogo, quem sabe as suas bolas não ganharam vida própria num lance tipo assim second life e foram elas que sopraram em nossos ouvidos essa porra toda, mas que o senhor fez alguma coisa, fez, o senhor acha que agimos por acaso?

As bolas ligadas por um fio darão um belo fone de ouvido, entendo sua situação é mesmo chato mas no momento precisamos das bolas, como ouviríamos as suas lamentações sem sentido, o senhor está acompanhando o raciocínio, o senhor conhece a piada das duas bolinhas vermelhas de pingue pongue?

10/30/2009

Frutos e Viagens

Não me lembro bem
Fui na cartomante
E ela me disse que algo aconteceria

O acontecer acontecido
Uma viagem desconhecida: rumo a mares, profundeza
Palhaçada

Entre rios e mares: um palhaço
Pirulito ele se chamava
Pirulitando fui rumo ao norte: sem norte

De volta ao centro-
Sul
Um encontro reencontrado do norte

Faz algum tempo
Desta ventura, desventura: uma vereda se abriu
Uma vida nasceu: faz onze anos

30/10/1998

10/29/2009

Da saudade e da vida amiga

a vida é um (eterno?)
ir e vir:
conciliar já deu golpe de estado

conciliar, reparar, articular: janus
ho Deus da janela, do entre-dentro
não há como agradeçer o ser

ser sendo indo e sendo mundo
estado e estabilidade provisória
o foda é reconciliar com o ciclos
e com o signo: consigo
clivagens do ser: a vida

enfim, a vida é uma eterna amizade
no fim a amizade é o que vale
as penas e a pena

10/27/2009

Lance



Meu anel redondo entrelaça-se
Às ondas de Mallarmé
Não quero falar de minha empregada
Nem dos insetos de dentro do armário
Quero ganhar as páginas brancas
Bordadas de tipos
- Gráficos -
Arremedos-cantos
Dedilhados
Auroras de sons

Emusecer

10/21/2009

CONVITE PESSOAL LANÇAMENTO DO LIVRO


10/19/2009

paradise park prayer



- descer da ilusão como quem sai de um trem lotado na estação subterrânea
- dar saltos mortais ao redor do próprio centro incerto sem um traço de vertigem
- esperar do espírito as alegrias do corpo e do corpo as do espírito
- esperar que no fim das contas exista isso a que chamam espírito
- comprar um bilhete sem volta pra Pasárgada sabendo que ela não existe
- colecionar desastres como borboletas secas presas por um alfinete torto
- arrancar a metafísica como um gânglio supurado
- nunca mais olhar no retrovisor
- quebrar o retrovisor
- restar na periferia e não se importar com isso porque este cu do mundo é o seu centro
- falar sempre em dialeto feito um hipopótamo sozinho na piscina do zoológico
- conversar com as paredes esperando sinceramente que elas respondam
- acreditar em respostas
- acreditar em alguma coisa apesar dos fatos
- expelir sua profundidade como um vômito sobre a superfície absoluta de tudo
- abortar a melancolia como tinta negra nas superfícies que forem brancas
- acordar de vez a fera no labirinto do corpo só para medir forças com ela
- andar a prumo sobre um mundo que gira em falso
- se o chão desaparecer agarrar-se pelo pescoço à corda das certezas

10/17/2009

3 anos


PessoALL,
este mês o nosso bangalô virtual completa 3 anos. Temos hoje novos bem vindos moradores, um desaparecido e outros de nós que de vez em quando aparecem pra matar a saudade. Ainda bem.
Fica aqui o registro e o brinde a mais este ano.
Abraço forte a todos!

10/12/2009

no além do labirinto



(para a.c.l.)


Agora o mar, um útero, me aguarda
gelado, e o choque logo transformado
em asfixia ( e dela, num só passo
áspero e rápido, ao balé que as algas
fantasmagóricas desenham na água)
não assusta, nem antes o sol claro
contra o azul infinito recortado
com seu halo, nem a visão das vagas
e das terras ao longe que eu tanto
quis um dia conhecer, nem a brisa
que do calor do sol me distraía.

Tudo isso pensava ontem quando
olhava seu rosto e algo me vinha
do futuro, num susto, e você ria.

10/03/2009

Álbum Gótico



















3.

Afiando a barba e o siso até o cenho
mordo a navalha e o corte. Não recordem
as pregas duvidosas em desordem
nem essa boca rude que mantenho

bem distante do riso. Sombra nova
flui, não recua em cima da distância.
Sou, algo mais de dentro para a ânsia:
Só folhas soltas, vida antes da prova.

Na sisudez alada dos espelhos
modelo a situação com poeira interna,
não encho meus defeitos com conselhos.

Ah, treme no pavio a falta acesa
do inverno por faltar idéia eterna
(nessa pastagem branca) como presa.


(C. Ronald, em Caro Rimbaud, 2006)

10/01/2009

Da série Amérika. Aproximação a Democracy de Leonard Cohen

Está caindo de um buraco no ar,
Daquelas noites na Praça da Paz.
Vem da clara sensação
De que nada é real
Ou é real mas não está onde está,

Das guerras contra a desordem
Das sirenes noite e dia
Das fogueiras dos mendigos
Das cinzas dos fodidos:

A democracia está chegando aos Estados Unidos.

Por uma rachadura no muro
Num fluxo visionário de álcool
Pela exegese insana
Do Sermão da Montanha
De que não finjo entender o sentido.

Está vindo no silêncio
Do cais da beira-mar
Pelo bravo, boçal, embrutecido
Coração de um Hummer

A democracia está chegando aos Estados Unidos.

Está vindo na tristeza das praças
Dos templos onde se encontram as raças,
Com o filho da puta homicida
Que vai a cada cozinha
Determinar quem serve, quem come a bagaça.

Pela aceitação resignada
Onde mulheres se ajoelham aos domingos
Pela graça de Deus nos desertos
E pelos desertos infinitos
A democracia está chegando aos Estados Unidos.

Navegue, navegue
Sagrado Navio do Estado
Para as Praias das Finanças
Aos Recifes da Ganância
Pelos ódios e seus gritos
Navegue.

Chega à América como um pioneiro
O berço do melhor e do pior
Aqui estão os engenheiros
Da maquinaria do progresso
Aqui se tem a sede do espírito
E aqui a família se tem de regresso
E pede sua nova inscrição
Aqui os solitários perdidos
Dizem que o coração deve se abrir
De um modo definitivo.

A democracia está chegando aos Estados Unidos.


Está vindo nas mulheres e nos homens
Baby, faremos amor outra vez
E faremos tão profundamente
Que o rio vai chorar
E as montanhas dirão amém.

Está vindo tal como o mar
Pela força da lua é movido
Imperial, misterioso,
As águas amorosas subindo.

A democracia está chegando aos Estados Unidos.

Sou sentimental, se é que você me entende
Amo o país, não sei o que vem pela frente
E não quero provar nada
Ficarei mais uma noite em casa
Sob a pequena tela desesperada
Mas sou teimoso como os montes de lixo
Que o tempo não degrada
Ando meio entorpecido
Mas tenho comigo
Um buquê de flores não domesticadas:

A democracia está chegando aos Estados Unidos.

9/25/2009

A flor do pequi e as crianças

É primavera
Vem o sol e vem a chuva
E os pingos da chuva a cantar cintilantemente

É primavera: o amor se mostra
Vem a nuvem e as flores
E os pingos de doces lágrimas

Uma criança a sorrir
Uma criança a nascer
Uma criança a brincar
Uma criança a dançar

Ela brinca de jogar para o alto
Ela brinca com o alto
E com a força que vem do alto

Ela joga a flor do pequizeiro
Ela brinca com a flor que cai
Para o fruto desabrochar

Ela brinca de ser feliz

9/17/2009

Welcome Mr Ego

1. O meio é a massagem.

2. A falta de classe
é o motor da história.

3. O eu não é senhor
No seu condomínio fechado.

4. Sun Tzu e Bill Gates
subindo a ladeira.

5. Walter Benjamin era um sujeito
Diferenciado.

6. Um cantinho
e um violão.

7. Um laptop
e a Arte da Guerra

8. Um estilo
e um reconhecimento.

9. Uma casa
no second life,
um avatar,
um cartão de crédito
e nada mais.

10. Um tipo assim na mão
E um otimismo na cabeça.

11. É sempre bom lembrar
Que um pastel vazio
Está cheio de ar.

(depois de ouvir Gilberto Gil na propaganda do Pão de Açúcar)

12. etc etc etc

9/11/2009

Geometrias vazias

Linhas, ó linhas,
Por que não sois curvas?
Alinhar-se
É pavoroso.
Não gosto de retas,
Elas são o caminho mais curto
A lugar nenhum.
Não gosto de círculos
Que perambulam
E não saem do lugar.
Triângulos são difíceis
De entender:
Não sou Pitágoras,
Mas acho que um triângulo –
Por mais que seja retângulo –
Não é perfeito
E não termina bem.
Não gosto de quadrados,
Todo quadrado me parece
Ressentido por não ser
Uma magra linha.
Se eu pudesse apenas
Seguir cegamente
As curvas
Do meu pensamento,
Do meu devaneio cambaleante,
E parar num ponto
Geométrico.
Mas o ponto geométrico não é
O encontro de duas linhas?
Melhor não ser ponto.
Quem sabe ser um
Icosaedro escaleno, irregular e curvo,
Sem linhas, pontos ou pontas?
Ah, acho toda esta geometria
Um grande vazio.
Vou descansar...

9/09/2009

A orquídea finge ser
Jesus plastificado
Como um galã esquecido
Dos filmes de sábado à noite,
Com o charme dos fumadores de haxixe,
Num convite estendido
Na pintura desbotada, azul.

A orquídea se faz passar
Por um bêbado que se emociona
Em lágrimas de cerveja
E se esquece da severidade imposta
Pela vida de imigrante e office boy
Ex-morador do zoológico de Brasília.

Atônitas, crianças
Que medem a distância das estrelas
Correndo com lanternas
Lêem Mein Kampf nos bueiros,
Livro em que a palavra
Deus é repetida mais de vinte vezes
Pelo autor que só tinha um testículo
(As crianças precisam atestar
O mal frente à inocência
Despetalada a cada dia):

As orquídeas colonizaram o mundo
Por meio de disfarces:

A imitação imperfeita
Das flores
Desdobra primaveras.

9/07/2009

video

8/31/2009

Os loucos e eternos MUTANTES




8/29/2009

Poema a quatro mãos

Obs.: Este poema foi feito em parceria com M. nos acidentes do relevo entre o vale e o planalto. Será que mil platôs formam uma montanha?

Nos acidentes do relevo
encontra-se a distância insuperável
entre as pessoas.
Apenas as flores
desabrocham no meio das pedras.

Nos acidentes da minha planice me acidento
vontade louca de voar
de ir em direção as estrelas: medo de ser estrela?
entre próximos e distantes não me encontro
perdido em viagens e devaneios
ou seria isso a vida?
pedregulhos a florear minha pequena dor existencial
queria eu ser um Deus?
minha falta me falta,

Pois o que me falta
é a simplicidade das flores
ao nascerem em meio às pedras
da distância insuperável
entre devaneio e vida
entre próximos e distantes
entre idas, voltas e viagens sem fim.

Na dúvida da existência e permanência
de fins e começos: o meio?
qual é a dor do eterno rizoma?
qual é a dor do florecer sem raiz?
qual é a dor de ter raiz?
desenraizamentos que me cruzam: histórias
e pequenos pedregulhos a me estrangular
se o tempo fosse
teria sido
mas como não foi ainda pode ser o que não é?
queria apenas que o nosso tempo fosse
hoje o mesmo
mas como não é não poderá ser mais?
são essas distâncias que por vezes, quando sinto,
nos aproximam, mas quando você pensa
nos afasta.
e seu afastamente me leva como uma petála ao vento
para longe do que eu dia eu fui, sou e serei
viagens com fins?

Por isso, as flores preenchem
a saudade entranhada na distância
agora superável
entre aquilo que penso
aquilo que sou
e o que jamais serei.
As flores sempre retornam a florescer,
sem dor,
sem viagem,
sem distância,
sem dúvida.
Vendo o eterno ritual
do seu desabrochar,
preencho os interstícios
da minha incompletude.
Saudade.

gaveta


para camila haro
não tenho perfeição escrita em mim
e é nossa imperfeição
que nos machuca
o tempo pode passar
mas há marcas
que seguirão conosco
para vendavais e montanhas
açucenas e mares
lágrimas sorrisos
e gozos
não há derrota
não há mais tempo
saudades, sempre.

Vae solis



não.

nem o amor materno

é esse dito (inter) dito

amor incondicional

o único amor incondicional

que existe

é o amor de um

cão por seu dono

e vice-versa

trombeta última.

8/25/2009

Oração a Oito-Olhos do Ventre Consolidado

Ó Belém-Brasília, BR 101,
Estrada bêbada entre o Itariri e o Sítio do Conde
Ó coqueiro onde ficaram os dentes
Do casal jogado com força pelo triciclo
Abafando as férias de janeiro.

Ó pinto de anjo, cara da marmanjo,
Engrenagem vazia feita por tubulações
Que são corpos de crianças, ó divina
Máquina de xérox.
Ó ti que quando escutas a palavra cultura vai logo sacando o seu re-
método, como remédio das cólicas bucólicas das ilhas da fantasia
Ó dentes presos na palavra
Globalização.

Ó invólucro sutil e crítico da escrita como álibi perfeito
Mastigador de tudo o que vomitas nas tubulações
Sob a forma de cloro pra que as famílias tenham hálito puro
Numa tese sobre o leite negro de Paul Celan e o preço abusivo
Das pousadas com piscina de água quente.

Ó conceitos misturados com método numa pedra de gelo
Numa dose de natu nobilis pras conversas sobre luto e melancolia
Nos hotéis que são o que resta dos colóquios
Sobre a guerra, as greves e a violência urbana e o conflito
Das notas de rodapé de barro vestidas como gerentes de bingo.

Ó cativador de calouros, promotor de trotes sob anestésico,
Que em tua larga mala carrega o saber como se fosse um bloco de concreto,
Vergado pelos sacrifícios de pasta dente e pelos exames
De fezes, Abençoa o meu currículo

E os meus furúnculos.

8/24/2009

O que é consolidar-se?

Consolidar-se é tornar-se sólido. Mas não se dizia, nas vozes outrora insólitas, que tudo o que é sólido desmancha no ar? O que era insólito quer se tornar sólito, assim como o que antes era flexível e fluido – e se orgulhava de sua flexibilidade e fluidez – agora se diz sólido. Consolidar-se é fazer esquecer a fluidez de tudo o que se move e sentar nas cadeiras do infinito, ao lado direito do Pai. É fazer com que esqueçam o que se escreveu e o que se escreve, tornando-se apenas um nome sólido e sólito. Frequente. Atual. Um clássico. Mas os clássicos não mudam de interpretação? Não para quem se consolida. Consolidar-se é também ser previsível, mesmo que não se saiba o que vai falar quando abrir a boca. Consolidar-se é, enfim, fazer a revolução copernicana às avessas, colocando-se no centro de um mundo fechado, enquanto toda a ciência abole a teoria geocêntrica.

8/23/2009

na falta do que fazer
escuto a conversa aheia

alheio a tudo e a todos no meio narcismo egoico esgoísta: triste e alegre ando com essa descoberta
contemplo o tempo
em minha angústias e minha rimas ruins
pq insisto em escrever?

expectador de mim mesmo
em busca de minha tragédia e comédia
rindo, bebendo e amando sem mim mesmo: fragmentado, desunido.
neste tear não há

na falta do que fazer: simplesmente escrevo, por escrever
para deixar a alma passar
na falta do que fazer: simplesmete bebo um chopp e mando um msg de celular.
em minha falta procuro preencher ou contemplar meus vazios

vazios de um relevo desconhecido, sempre (des)conhecido
A poesia escrita não é a mesma que se lê.
Escravo pq minha alma pede (e perde algo).
Perco palavras, lanço palavras com e sem sentindos.

Lógicas ilógicas com e sem sentidos.
Do sentido de minha frágil sensibilidade.

o álcool não é suficiente.
o sexo não é suficiente.
a música não é sufiente.
insuficiencias do inacabamento terreno.

nos territórios dos versos pro(s)zados pro(s)zeio comigo mesmo
a espera
o verso me chama, clamai por nós os pecadores: agora e na hora
nessa escatologia versada: rezo e renasço.
essa chama já é e está
para que eu possa continuar descontinuamente minha pro(s)za (com z é mais bonito)

meu rio a esperar
a nova esperança
a esperar um novo amor
poetando e poetizando
a existência e o ser
nas vagas poéticas

8/20/2009

eu queria te dizer



eu queria te dizer
_______________


eu queria te dizer
assim
simples assim
como um poema do Bukovski
para que tu
não te fosses

e tu me verias
esticado
a boca aberta
num grito em pleno
mundo
o desespero só
como numa pintura
de Hieronymus Bosch

eu queria te dizer
mas eu
não sei dizer
mas mesmo
assim
eu queria

ou te demonstrar
em romaria
meu olhar meu olhar
o verde
platina
caído pelas bordas

eu queria te dizer
de alguma forma
como as bolhas
de sabão
e as de champanhe
são gêmeas
como o meu amor
teu nariz
e nossa temperatura
embaixo
nas noites de inverno

mas lembrei
que a única maneira
é te escrever
esse poema
para que nunca
te vás
mas eu vejo
a porta bater

teus cabelos
chanel alguma coisa
voarem
e então eu me sinto
mais só
do que eu já era

já era

e tu nem vais
ler esse poema.



8/18/2009

Rumor Piripkura

Jesus disse: Mostrai-me a pedra que os construtores
rejeitaram, ela é a pedra angular.



O vento é como se fosse invisível
E a árvore balança e dizer
Que o vento move o mamoeiro é singelo
Mas antinatural como se Brasília neste momento
Sob sua luz quase fria e quase branca
Não ouvisse o rumor de dois homens
Sozinhos em mata fechada, fugindo ao norte
Da fome, da morte, carregando um facho
Invisível antes os clarões abertos pelo, como se fosse, progresso.

E no entanto eles serão os últimos
E sua morte será como se a implosão
Distante de uma galáxia num silêncio
Mais profundo, repleto de rumores
Se calassem, levando consigo
Outras tantas centenas de vozes, como se imersas
Nas raras conversas entre os dois
Na solidão ameaçada
Pelas armas da civilização como se uma britadeira
Abrisse caminho e forçasse o tempo a andar mais rápido
No ritmo das rodas dentadas e das faíscas, das sirenes
Que encobrem o mínimo rumor produzido por dois homens
Que matarão com sua morte todas as gerações
Que lenta e pacientemente prepararam a arte
De não deixar o fogo morrer na floresta úmida e escura.

E será como se elas, todas as vozes
Misturadas como se a fala universal de uma criança
Fosse o idioma destes dois homens que carregam fachos
Na floresta escura, nunca
Tivessem existido, ao menos em Brasília
Mais preocupada com a proximidade
Miserável em seus bairros nobres
Das escolas públicas e a qualidade da grama
Que na seca se comporta como se fosse palha morta.

8/13/2009

Depois da Antropofagia, a Coprofagia

Manifesto coprofágico, por Rroche Selavy

1. Rroche Selavy.


2. Como vimos na explicação, existem aqueles que comem cocô por puro tédio, ou para manter o local limpo e sem vestígios, para evitar broncas e punições. Alguns nem chegam a comer todo o cocô, brincam com eles e carregam pedacinhos na boca, que saem sob a forma de gases em canções axé-music, outros ainda usam o cocô na caneta-tinteiro e escrevem seus romances e crônicas com essa matéria-prima, e por fim temos aqueles que cospem a merda no ventilador. Tamufu é composto de ingredientes naturais que deixam as fezes com um sabor e odor nada atraentes. Ele é mais eficaz do que soluções caseiras como, por exemplo, colocar pimenta em cima das fezes, pois como ele é ingerido e processado você não vai precisar ficar vigiando cada ida ao banheiro para colocar a pimenta.


3. Wikipedia: Coprofagia (assim como a coprofilia, também conhecido como scat), copro em latim significa "fezes" e fagia "ingestão" sendo assim: prática de ingestão de fezes. Isto ocorre naturalmente em algumas espécies de animais, como cães, gatos, insetos e aves. Relata-se também tal prática em seres humanos, porém sob a categorização de patologia de ordem psíquica, ou desvio sexual (variação da coprofilia). Existe farto material de ordem hedonista a respeito do tema, principalmente proveniente do oriente. Ex. “José Serra falou merda sobre a gripe suína” em práticas de dominação sexual entre duas ou mais pessoas a pessoa dominante por vezes pode defecar sobre seu escravo, não só no corpo mas como também no rosto ou até dentro de sua boca obrigando-a até a ingerir suas fezes (da pessoa dominante), isto também é denominado "scatsex"[carece de fontes?]. Acredita-se que a coprofagia em cães ocorre por falta de alguma enzima no organismo[carece de fontes?]. Um caso de coprofagia que ganhou o interesse da imprensa especializada foi o escândalo da polonesa Cynthia Witthoft

4. Tamufu só funciona nas primeiras 24 horas em casos graves casos graves só depois de 48 horas cada dose de Tamufu corresponde a duas doses de Blue Label no Cruzeiro Hipocrático. Contra-indicações: diarréia em alto mar.

8/06/2009

Amerika. The Powerfull Alpha Male

Rockstars, atores de cinema cientologia, donos de boate, podres de ricos, editores de sítios literários, dramaturgos e padres sex symbol não se explicam porque estão pouco se fudendo, não se esqueça de ser um deles, ao menos como eles, brevidade igual autoridade, o Alpha Male é curto e grosso, think Clint Eastwood, ele é sua própria realidade, todos à sua volta dirigem seus sinais corporais diretinho no seus olhos, o Alpha Male não olha pra nada ou ninguém, mulheres têm uma visão periférica extremamente sensível, vista-se como o sucesso, pronuncia-se suck-cess, transpire felicidade, ha-penis, aja como se todos estivessem below me, blow me, note como as garotas, especialmente garçonetes, riem loucamente de tudo o que Alpha Male diz, você não tem a menor graça, gargalhada é submissão do inconsciente coletivo, o Alph Male usurpa tudo o que pode rolar de Alpha onde ele está, não telefone antes de 24 horas, nem depois de 36 horas, garotas têm memória curta, depois de 36 horas se lembram de você, 58 horas apenas do seu nome, 72 horas começam a pensar que você é um Beta Male, não a convida durante o primeiro encontro, nem pronuncie a palavra encontro, não atende telefone às sextas ou finais de semana, a vida do Alpha Male seria interessante demais pra isso, ela pode pensar que você é um loser disfarçado de Alpha Male, não inicia uma conversa sem um plano bem elaborado, seja diante da reação positiva, neutra ou negativa do seu alvo, sua casa do Alpha Male deve ser limpa, nada de cabelo de female lovers no chuveiro, e principalmente cuidado com a secretária eletrônica ou ímãs com telefones de pizzaria na geladeira, o importante é qualquer assunto levar a uma deep emotional conexão, o Alpha Male descreve a construção de um parque de diversões como se fosse um ato sexual, fale de mitologia ou a hipnotize com uma flor azul que desce so deep in her ela vai sentir entre as coxas, o business card do Alpha Male é azul, não seja um bêbado, o Alpha Male conhece o melhor pôr-do-sol da cidade e no caminho acha que bêbados são desagradáveis, mas uma pequena taça de champagne e um deep kiss, não babe não diga de cara quero comer você a não ser via trocadilhos, você gostou da picanha, baby?, você está me gozando, olhos nos olhos, a transação está completa, um Alpha Male diria que garota se você jogar as cartas certas então pode ser que eu te leve pra cama, se Deus existe tudo é permitido pro Alpha Male, try a little tenderness, elas receberão como um esmola extremamente valiosa, turn off the light, facilite as coisas antes de abrir fogo na fitness.